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Estação faz ciência no meio da floresta

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"Ferreira Pena" é base avançada para pesquisadores de todo o mundo

No ano que vem, a Estação Científica Ferreira Pena (ECFPn), instalada em uma área de 330 mil hectares de mata densa, nos municípios de Portel e Melgaço, no Marajó, completará 20 anos de existência. A estação está instalada próxima às margens do rio Caxiuanã, afluente do rio Anapu, que em linguagem indígena significa lugar de muitas cobras. E como tem. Na semana passada três pessoas, uma delas bem jovem, foram picadas por jararaca, uma das espécies mais encontradas na região. Mas a estação tem uma enfermaria que presta socorro aos ribeirinhos.

As instalações da estação foram construídas com recursos do governo da Grã Bretanha e interferência direta do Príncipe Charles, que veio pessoalmente ao Pará, quando da assinatura do acordo entre os dois países. Ela é composta de edificações em alvenaria que se interligam através de largos corredores com acomodações em redes e apartamentos para pesquisadores, cientistas, técnicos e pessoal de apoio, salas de trabalho e pesquisa, biblioteca, cozinha e refeitório além de espaços de lazer e leitura.

A estação científica recebe estudiosos de diversas áreas, como de climatologia, que avaliam precipitação pluviométrica, atmosfera e a resposta da floresta às mudanças climáticas; de zoologia, que estudam animais de grande e pequeno portes, acompanham seu crescimento e desenvolvimento. Incluem-se aí peixes, répteis e insetos. Os pesquisadores elaboram ainda estudos sobre a água, sua acidez, PH e outros fatores; de botânica com inventário das matas, que estudam as folhas, os frutos, a seiva e novas espécies e também de arqueologia, já que na região existiam muitas tribos indígenas que deixaram vestígios.

O coordenador da estação é José Antônio Pereira Junior, engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), que acompanha o projeto desde a fundação com a chegada dos primeiros operários para desmatar a beira do rio, construir um trapiche - que ainda existe e foi ampliado - e abrir a clareira onde as instalações foram construídas. Hoje, a estação utiliza energia solar para 90% de sua demanda e um grupo gerador a diesel para o restante. O lixo é todo recomposto na natureza e os recicláveis levados para Portel.

Pereira Junior revela que é apaixonado pela estação científica, não se sente bem em cidade grande e procura dar toda a assistência aos pesquisadores que passam de uma semana a um mês na floresta em estudos e observações. É o caso de Priscila Medeiros, cientista ambiental, trabalhando em pesquisa com floresta inundável, como igapós e várzeas e a criação de fungos nesses ecosistemas. Priscila reconhece que ficou impressionada com a estrutura de Caxiuanã e, principalmente, pela relação que é mantida com os povos da floresta, que auxiliam os cientistas nas andanças pela mata, na captura de animais, nos ensinamentos da natureza e nos "causos", contado à luz das estrelas ou da lua.

A programação é promovida pelas prefeituras locais e tem apoio da estação científica que cede o espaço onde as crianças e jovens participam de oficinas e debates sobre os cuidados com meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

"Os professores aprendem muito aqui e essa troca de informações extra-classe contribuiu para a formação de cidadãos mais críticos e responsáveis com o meio ambiente", admite o prefeito de Portel, Pedro Barbosa, que criou há mais de cinco anos essa gincana. Como inovação e premiação aos alunos de destaque, foram sorteadas duas viagens ao Rio de Janeiro para acompanhar o evento Rio+20 . Os jovens estudantes Solange, de Portel e Odilon, de Melgaço, foram os contemplados.

O Liberal, 12/06/2012.

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