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Publicação do Museu Goeldi lista 130 novas espécies da Amazônia

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A publicação Espécies do Milênio traz as recentes descobertas de espécies amazônicas pelos pesquisadores da instituição, que há 146 anos coletam testemunhos da história natural e humana da região.

O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) lança hoje (18) a publicação "Espécies do Milênio - Novos animais, plantas e fungos", que relaciona as 130 espécies descritas entre 2000 e 2011 pelos pesquisadores do instituto. O lançamento acontece durante o evento "A biodiversidade da Amazônia no contexto da Rio+20", no Auditório Paulo Cavalcante, quando também será lançado o projeto Censo da Biodiversidade.

O informativo apresenta as recentes descobertas na Amazônia brasileira e de outros países: são 49 espécies da flora e 81 da fauna encontradas em ambientes diversos - desde áreas pouco exploradas pelo homem às de intensa ocupação humana e sede de grandes projetos. Segundo o coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação, Ulisses Galatti, a publicação demonstra o empenho do Museu Goeldi em inventariar e catalogar a biodiversidade amazônica: "Essas 130 espécies descritas nesses 11 anos significam um grande esforço da instituição, dentro das especialidades da nossa atuação. Para ampliar a produção do conhecimento precisamos de um grande contingente de pesquisadores que, apesar de todos os esforços no sentido de agregar pessoal qualificado pra trabalhar na região, ainda não temos.".

Desafios - Território vasto, processos de transformação de paisagens acelerados, além do baixo número de especialistas dedicados integralmente, a região amazônica é pródiga na oferta de desafios. O acesso dentro da região é difícil e depende, essencialmente, do limite das estradas e dos rios. Teresa Ávila-Pires, especialista em répteis do Museu Goeldi, explica que as coletas adentraram mais nas florestas, avançando nos interflúvios, isto é, nas áreas mais elevadas situadas entre cursos d'água ou vales. "O mapa de fontes de coleta mostra que elas foram realizadas ao longo dos rios e das estradas. Esta realidade ainda é predominante, todavia estamos adentrando mais no território também, porque têm surgido mais alternativas de logística, inclusive com o uso de aeronaves", acrescenta.

Novo milênio, novas espécies - Ao contrário do que se pode pensar, as novas espécies não são organismos recentes, recém-criados: são espécies já existentes que foram descritas somente agora pelos pesquisadores. Ricardo Secco, botânico e curador do Herbário do Museu Goeldi, explica que para propor uma nova espécie é preciso muito conhecimento na área: "A descrição de uma espécie nova segue todo um padrão estabelecido pelo Código Internacional de Nomenclatura e exige também a experiência do pesquisador no assunto. Ele precisa fazer um rastreamento de toda a literatura, precisa ter um conhecimento básico, fundamental pra que ele possa propor uma espécie nova".

Outro detalhe importante a ressaltar sobre o trabalho de descrição de espécies é que nem todas as novas espécies foram recém encontradas na natureza. Alguns exemplares já estavam em coleções científicas, mas catalogados como pertencentes a outras espécies, a exemplo da espécie de mamífero Mico rondoni. Revisões de gêneros e o uso de novas tecnologias, como a biologia molecular, permitem estudos mais detalhados, propiciando aos especialistas perceberam a ocorrência de novas espécies e fazer as necessárias correções taxonômicas.

Conhecer para conservar - Desde o final do século XIX, as Coleções Científicas do Museu Goeldi são fonte de estudo sobre a biodiversidade amazônica recente e pretérita, e seu acervo aumenta à medida que avançam as pesquisas na região. Atualmente, existem mais de 3,5 milhões de exemplares no Herbário, Coleção Paleontológica, Coleções Zoológicas, que se dividem em Insetos, Invertebrados Não-Insetos, Peixes, Anfíbios e Répteis, Aves e Mamíferos. A partir dos dados das Coleções, os especialistas podem aprofundar o conhecimento sobre uma determinada espécie.

A ciência dedicada a inventariar, descrever e compreender as relações filogenéticas entre as espécies é a sistemática, considerada a base do conhecimento sobre a biodiversidade. Ela representa o primeiro passo para conhecer e conservar a riqueza biológica, o que na Amazônia é fundamental. Para Ulisses Galatti, o desenvolvimento econômico e social da Amazônia passa pelo uso racional dessa biodiversidade: "O primeiro passo pra você poder usar essa biodiversidade de forma sustentável, é você conhecê-la. Você não pode nem utilizar, nem conservar o que você não conhece".

Acesse a versão digital da publicação no link: http://issuu.com/museu-goeldi/docs/catalogo_milenio.

Debate - Com o objetivo de promover o debate público acerca da importância do conhecimento sobre a diversidade biológica para o desenvolvimento científico, tecnológico e sustentável da região, o Museu Goeldi promove hoje (18) a mesa redonda "A biodiversidade amazônica no contexto da Rio +20". Os palestrantes serão Ulisses Galatti, ecólogo e Coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Emílio Goeldi, Peter Mann de Toledo, paleontólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e Alex Fiuza de Mello, cientista social, atual Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI/PA) e ex-reitor da Universidade Federal do Pará.

(Agência Museu Goeldi)

Jornal da Ciência, 22/5/2012.

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