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Segunda, 09 Maio 2011 14:27

Cerâmica de origem portuguesa: cultura material da região amazônica

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Arqueólogo português desenvolve no Museu Paraense Emílio Goeldi estudos sobre cerâmica
de origem portuguesa encontrada em Belém (PA)

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Agência Museu Goeldi - A partir do século XVI, a costa brasileira passou a ser colonizada pelos portugueses e esse processo deixou vestígios materiais que são importantes para entender a realidade histórica e social do País. Na Amazônia, principalmente nas cidades que foram fundadas durante o processo de colonização - como é o caso de Belém -, as cerâmicas de origem portuguesa são importantes marcadores cronológicos, testemunhos de intercâmbios sócio-económicos do período colonial.

O assunto foi abordado pelo arqueólogo Rui Gomes Coelho que ministrou o curso “Introdução ao estudo da cerâmica de origem portuguesa (sécs. XVI-XVIII) e técnicas de representação gráfica”, direcionado para estudantes e graduados nas áreas de arqueologia, antropologia, história e arquitetura.

Rui Gomes Coelho é membro do Instituto de Arqueologia e Paleociências das Universidades Nova de Lisboa e do Algarve (IAP) e mestre em História e Arqueologia dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde estudou vestígios arqueológicos de Setúbal. O arqueólogo inicia, em agosto, doutorado em Arqueologia na Universidade do Estado de Nova York, nos Estados Unidos.

Representao_Grfica_2_Rodrigo_Banha_da_Silva_O curso desenvolveu sessão prática com reconhecimento e desenho técnico de materiais arqueológicos provenientes da área urbana de Belém, em especial da escavação realizada no Largo da Sé, tendo sido feitas abordagens sobre questões relacionadas à fabricação e distribuição, tipologias, funcionalidades e problemáticas suscitadas pelos contextos sociais onde foram encontradas cerâmicas comuns, finas, vidradas e esmaltadas.

Cerâmica – Definida como a arte/técnica da fabricação de objetos tendo a argila como matéria-prima. Encontrada como vestígio arqueológico desde o tempo das primeiras sociedades produtoras de alimentos da Pré-História. 

Na região amazônica, e em especial em Belém, os objetos cerâmicos de origem portuguesa tinham grande valor social. Segundo o Arqueólogo Rui Gomes Coelho, “através dos vestígios de cerâmicas que encontramos em Belém, em especial a faiança, que era relativamente comum, podemos entender determinadas relações de troca. Um bom exemplo é um prato com um símbolo real encontrado aqui, que talvez tenha sido dado como presente a uma pessoa ou família de Belém, e ter uma louça com um símbolo real era sinal de prestígio social“.

As cerâmicas encontradas com mais freqüência em escavações arqueológicas são as utilizadas naTaa_do_sec_XVII_proveniente_da_Casa_dos_Bicos_Encontra-se_no_Museu_da_Cidade_em_Lisboa cozinha, como: panelas, frigideiras, tachos, talhas, potes, jarros e tigelas.

As principais olarias portuguesas que produziam cerâmicas encontradas na região amazônica ficavam na cidade de Coimbra e em Lisboa. Segundo Rui, uma das diferenças gerais entre as faianças de Lisboa dos séculos XVII e XVIII é a qualidade dos objetos. As do século XVII apresentam um esmalte mais brilhante e pintura de boa qualidade. Já as do século XVIII são menos resistentes e não têm uma pintura tão elaborada.

Representação gráfica – É ela que permite esquematizar os objetos de forma racional, clara e concisa, facilitando o entendimento geral por todos os interessados que não podem ter acesso direto à peça. A representação gráfica está diretamente relacionada a conceitos geométricos, em geral, e pode ser realizada através de desenhos feitos à mão, ou com o auxílio de softwares.

Texto: Lucila Vilar.

Ler 828 vezes Última modificação em Quarta, 11 Maio 2011 12:38
 
 
 
 
 

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