
Agência Museu Goeldi - A partir do século XVI, a costa brasileira passou a ser colonizada pelos portugueses e esse processo deixou vestígios materiais que são importantes para entender a realidade histórica e social do País. Na Amazônia, principalmente nas cidades que foram fundadas durante o processo de colonização - como é o caso de Belém -, as cerâmicas de origem portuguesa são importantes marcadores cronológicos, testemunhos de intercâmbios sócio-económicos do período colonial.
O assunto foi abordado pelo arqueólogo Rui Gomes Coelho que ministrou o curso “Introdução ao estudo da cerâmica de origem portuguesa (sécs. XVI-XVIII) e técnicas de representação gráfica”, direcionado para estudantes e graduados nas áreas de arqueologia, antropologia, história e arquitetura.
Rui Gomes Coelho é membro do Instituto de Arqueologia e Paleociências das Universidades Nova de Lisboa e do Algarve (IAP) e mestre em História e Arqueologia dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde estudou vestígios arqueológicos de Setúbal. O arqueólogo inicia, em agosto, doutorado em Arqueologia na Universidade do Estado de Nova York, nos Estados Unidos.
O curso desenvolveu sessão prática com reconhecimento e desenho técnico de materiais arqueológicos provenientes da área urbana de Belém, em especial da escavação realizada no Largo da Sé, tendo sido feitas abordagens sobre questões relacionadas à fabricação e distribuição, tipologias, funcionalidades e problemáticas suscitadas pelos contextos sociais onde foram encontradas cerâmicas comuns, finas, vidradas e esmaltadas.
Cerâmica – Definida como a arte/técnica da fabricação de objetos tendo a argila como matéria-prima. Encontrada como vestígio arqueológico desde o tempo das primeiras sociedades produtoras de alimentos da Pré-História.
Na região amazônica, e em especial em Belém, os objetos cerâmicos de origem portuguesa tinham grande valor social. Segundo o Arqueólogo Rui Gomes Coelho, “através dos vestígios de cerâmicas que encontramos em Belém, em especial a faiança, que era relativamente comum, podemos entender determinadas relações de troca. Um bom exemplo é um prato com um símbolo real encontrado aqui, que talvez tenha sido dado como presente a uma pessoa ou família de Belém, e ter uma louça com um símbolo real era sinal de prestígio social“.
As cerâmicas encontradas com mais freqüência em escavações arqueológicas são as utilizadas na
cozinha, como: panelas, frigideiras, tachos, talhas, potes, jarros e tigelas.
As principais olarias portuguesas que produziam cerâmicas encontradas na região amazônica ficavam na cidade de Coimbra e em Lisboa. Segundo Rui, uma das diferenças gerais entre as faianças de Lisboa dos séculos XVII e XVIII é a qualidade dos objetos. As do século XVII apresentam um esmalte mais brilhante e pintura de boa qualidade. Já as do século XVIII são menos resistentes e não têm uma pintura tão elaborada.
Representação gráfica – É ela que permite esquematizar os objetos de forma racional, clara e concisa, facilitando o entendimento geral por todos os interessados que não podem ter acesso direto à peça. A representação gráfica está diretamente relacionada a conceitos geométricos, em geral, e pode ser realizada através de desenhos feitos à mão, ou com o auxílio de softwares.
Texto: Lucila Vilar.

