Realizado entre os dias 20 e 23 de setembro de 2009 no Centro de Convenções do Hotel Sagres, em Belém, Pará.
GUAPINDAIA, Vera L.C.
Além da margem do rio: as ocupações Konduri e Pocó e na região de Porto Trombetas, PA.
Maura Imazio da Silveira
Estudo sobre estratégias de subsistência de caçadores-coletores pré-históricos do sítio Gruta do Gavião, Carajás (Pará).
A área de arqueologia possui 1 salão com mesas e estantes e 4 laboratórios equipados com pias, mesas, balcões e estantes.
No salão é realizada triagem e organização primária segundo tipo e proveniência dos materiais arqueológicos trazidos de campo.
Neste espaço também são selecionadas, pesadas e acondicionadas amostras de carvão e cerâmica, sendo algumas escolhidas para datação absoluta pelos métodos de C14 e TL respectivamente, bem como sementes carbonizadas e carvões para análise antracológica, resina para estudos botânicos, solo para análise de elementos químicos, solo para análise de pólen entre outros.
Nos 4 laboratórios são desenvolvidas as seguintes atividades:
Devido à durabilidade e o alto grau de conservação, grande parte dos vestígios materiais disponíveis nos sítios arqueológicos pré-históricos correspondem a artefatos líticos (cujas matérias-prima são rochas trabalhadas e/ou apropriadas por sociedades humanas) e/ou cerâmicos.
O trabalho nestes laboratórios consiste na limpeza, numeração, classificação e análise destes materiais com o intuito de caracterizar cultural e temporalmente a ocupação humana nos sítios arqueológicos.
Os artefatos cerâmicos apresentam alto potencial interpretativo visto que estão presentes tanto em contextos cotidianos coletivos (preparo, consumo e estocagem de alimentos) quanto em específicos restritos (atividades ritualísticas e de troca de bens). Realizar estudos capazes de reconhecer variações tecnológicas próprias de cada indústria que reflitam opções culturais é uma opção de análise. Para tanto estudos qualitativos e quantitativos por meio da análise de atributos morfológicos (forma do artefato), tecnológicos (como o artefato foi produzido) e estilísticos (tipos de decoração presente nos artefatos) são realizados (Oliveira, 2005).
Quanto ao material lítico, alguns dos principais atributos para análise são: identificação da matéria-prima utilizada (análises petrográficas), técnica de transformação e identificação do tipo de vestígio produzido (Bueno 2007).
Os vestígios encontrados em sítios históricos caracterizam-se por uma grande diversidade de materiais, que são reflexos do consumo da sociedade moderna, com produção em larga escala, incrementada progressivamente a partir da revolução industrial, no século XVIII.
Durante a análise são considerados atributos como natureza de matéria-prima, forma, função, decoração, dimensões, etc., para fins de classificação tipológica. A observação das técnicas de manufatura e/ou decorativas e das características físico-químicas possibilita a definição dos períodos de sua utilização, apoiada em fontes bibliográficas especializadas. Os materiais compreendem: Cerâmica Vermelha não Torneada (relativa a vasilhas típicas da cultura indígena e/ou cabocla, como tigelas e panelas, inclusive com técnicas de decoração complexas); Caulim (objetos manufaturados com argila pura, bastante resistente, de coloração branca, como cachimbos de procedência européia); Cerâmica Vermelha Torneada (produzida já em tornos, em olarias, como materiais de construção, ladrilhos, manilhas de barro vidradas, além de vasilhas); Faianças (louças de pasta interna com textura terrosa e coloração amarelo-parda ou bege, com tratamento em engobado, transparente e opaco); Faianças-Finas (louças de pasta interna em cor branca, de textura porosa, opaca ou brilhante, com ou sem revestimento); Porcelanas (louças de pasta branca translúcida ou opaca, compacta, textura vítrea ou característica de pó-de-pedra, com ou sem revestimento); Grés (cerâmica com pasta de coloração mais acinzentada, opaca, compacta, com ou sem revestimento vidrado); Metais (de uso muito variado, como martelos, facões, pás, enxadas, etc., dobradiças, fechaduras, chaves, ferrolho, ferraduras, cravos, pregos, botões, medalhas, insígnias, dedais, canos de espingardas, gatilhos, balas esféricas de ferro e chumbo, projéteis, cartuchos, medalhas com esfinges de santos, moedas em cobre e bronze. Vidro (fragmentos de vidraças, copos, garrafas, e frascos, nas cores verde âmbar, verde claro, azul, marrom e vermelho, além de grande número de incolores. Líticos (como pedras de pederneiras usadas em armas de fogo, durante o período colonial); Ossos (relativos a humanos-sepultamentos, ou de práticas alimentares como ossos de mamíferos, aves, peixes, quelônios, etc. São incluídos ainda restos de carvão, concha, couro, madeira, madrepérola, material de construção, opalina, plástico, etc.
Utilizando materiais como colas, solventes e argila, os técnicos em restauração e conservação de peças arqueológicas (cerâmicas e líticas) do MPEG são responsáveis tanto pela manutenção do acervo depositado na instituição desde longa data quanto daqueles provenientes de pesquisas em andamento.
Basicamente são realizados trabalhos de remontagem de vasilhas cerâmicas de diversos tamanhos a partir da colagem dos fragmentos. O trabalho de restauração exige muita paciência, habilidade e conhecimento de técnicas e de materiais específicos a serem utilizados neste processo.
Existem outros tipos de materiais, tais como ossos humanos, ossos de animais, material malacológico (conchas), corante, para cuja análise, nas dependências do MPEG, são convidados especialistas.
Todos estes estudos vêem complementar as pesquisas de campo contribuindo para o esclarecimento de aspectos ambientais e culturais.
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